preguiça

Tem gente que vive como se o mundo fosse um tribunal. Cada passo precisa de uma justificativa, cada conquista vem com legenda em caixa alta, cada escolha vira tese de defesa. É como se estivessem sempre tentando convencer alguém — mas quem, exatamente?

Vivemos tempos em que mostrar vale mais que sentir. A felicidade precisa ser postada, a superação precisa ser anunciada, o amor precisa de plateia. E quem não prova, parece que não vive. Mas a pergunta que ecoa, como um sussurro desconfortável na cabeça, é: provar pra quem?

Provar que é forte, mesmo com o peito em ruínas. Provar que é feliz, mesmo com o travesseiro molhado de noite. Provar que venceu, mesmo sem saber onde foi a linha de chegada.

É cansativo. É um teatro de aplausos forçados. Me dá preguiça. Dou risada.

E talvez, só talvez, quem mais grita não é quem mais acredita. Talvez quem insiste em provar tanto esteja tentando convencer a si mesmo. Porque, no fundo, quem está em paz não precisa gritar. Quem sabe o próprio valor não mede suas vitórias em curtidas. Quem se conhece de verdade não se explica o tempo todo.

A verdade é que viver tentando provar algo a alguém é como correr em esteira: você se cansa, mas não sai do lugar.

Então, se for pra provar alguma coisa, que seja pra você. Que você deu o seu melhor. Que se escolheu. Que é suficiente — mesmo em silêncio.

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