Espera


Parava tudo o que estava fazendo para responder àquela mensagem despretensiosa, que ela insistia em mandar no meio da tarde. Ele, sempre tão ocupado com as suas coisas, deixava até o trabalho para  concluir depois, largava as planilhas de lado e corria para atender ao chamado da sua pequena. “Era só para dizer que passei naquele café que você me falou e eu adorei o lugar! Valeu a indicação! ”
Ele sempre acha que ela não leva muito a sério as coisas que ele fala ou os lugares que acaba indicando. Mas quando ela interrompe o seu dia com esses comentários, ele perde até a cara de bronco e consegue sorrir – de orelha a orelha.
Ela, por sua vez, leva mesmo a sério tudo o que ele diz. Anota todos os seus gostos, gestos, manias. Seus lugares prediletos, o nome dos seus melhores amigos, o sabor do sorvete... ela está atenta a todos os detalhes. Não deixa esboçar o quanto se importa, porque sabe que todo o sentimento que guarda, o assustaria. Aquele baita homem, que mais parece um ogro, é na verdade um gato indefeso e muito, mas muito arisco. Tem medo de sentir de novo. Medo de se envolver e principalmente, medo de machucar.

Os dois são intensos, não tem como negar. Ele é o tipo de cara que não faz ninguém perder tempo, ou ele está ou não está afim. O difícil mesmo é esse 'estar'... Ela já se ligou que com ele, joguinhos de conquista não funcionam. A cabeça funciona de uma forma que ninguém entende - nem ele mesmo.
Mesmo assim, sem entender e sem perder a sua fé, ela aprendeu a respeitar o tempo e o espaço do seu amado felino barbado. 

Então ela espera, como já esperou outras vezes. 
Mas, não se sabe até quando.
(...)




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