imã


Olha eu aqui de novo, arrastando um caminhão por você. Eu mesma que, tinha prometido que não ia mais te procurar, que deletei suas redes sociais, seu número de telefone, só para não passar pela tentação de te ver sempre pela tela. Eu mesma, que tentei me fazer de difícil, estou aqui agora: rabiscando no guardanapo do bar esse bilhete, enquanto você está no balcão pedindo mais uma cerveja para nós. Eu sabia que eu cederia à sua primeira investida, mas não achei que aconteceria tão rápido.
De volta ao bar, enquanto você cumprimenta um velho conhecido, tenho mais um minuto para continuar meu rabisco.
Tem algo em você que me instiga. E eu ainda não sei exatamente o que é. Sua mão pesada parece sutil ao me tocar, mas não deixo de imaginar o que você poderia fazer com ela... Suas pernas compridas mal cabem nessa mesinha de madeira, e buscando uma posição mais confortável, você as escora levemente na minha coxa, bem perto, ao meu alcance. Me pego pensando se você estaria sentindo a mesma energia que eu... tento esquivar um pouco, pois o seu toque me dá um tipo de choque mas que também gera uma conexão comigo que eu não iria querer soltar nunca mais. Me controlo porque apesar de estar tão a vontade, eu sinto que não vou resistir. Você é misterioso, me come com olhos toda vez que encontro seu olhar. Usa sinceridade me encanta, o papo leve e essa presença que inunda qualquer lugar.
Somos os últimos clientes do bar. Minha vontade é de grudar no seu pescoço como se eu tivesse encontrado meu cachorrinho que fugiu de casa, e ir embora. Mas vamos sair da mesma forma como entramos: lado a lado, eu tendo que erguer a cabeça para encontrar o seu olhar e enquanto enchemos as ruas vazias da cidade com as nossas gargalhadas.

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