Borboletas


Você jamais entenderia... Nem eu mesma sei explicar porque após quase mil dias estou ainda estagnada com a mesma sensação de aperto no peito. Esse desconforto que você me gera desde aquele primeiro encontro. Você jamais entenderia. Nunca pensei que diria isso, mas admiro o seu desprendimento e a forma como consegue virar uma página da vida sem voltar atrás. Eu tenho o péssimo hábito de reinventar as mesmas histórias... 
Portanto, vivo um dia de cada vez... até que seu rosto não me venha mais à mente. Até que sua voz não desperte meu sono. Até que as seus trejeitos e manias não me venham à me mente e me façam rir - de saudade. Não foi capaz de ver a mentira nisso tudo? Naquele momento, acreditara que eu não havia superado um amor antigo mas a verdade é que tive medo de toda a sua intensidade. É uma droga isso, que após todos esses mais de mil dias, ainda tem o poder de me tocar. Em lugares que ninguém jamais conseguirá chegar. Possui o poder inconsciente de mexer comigo, invadir minhas entranhas com as lembranças de um amor que eu inventei e agora minha vida está ferrada pra sempre. Enquanto passeia por entre diversas relações, me privo de abrir meu coração a qualquer um que tenta se aproximar. Sempre foi sobre você, a quem eu estava tentando enganar? Olha a merda que fez. Não cobre sanidade de minha parte, isso nunca irá acontecer... minha cabeça não mais funciona. Meus ímpetos são controlados pelo meu pobre coração destroçado. Podre! Enquanto trabalho a minha resiliência, acredito que um dia, vivendo um dia de cada vez, meu coração pare de clamar pela sua volta, que minha vida tenha mais clareza e volte a fazer sentido. Você matou cruelmente as minhas borboletas azuis... E eu rezo, para que um dia alguém desperte novas borboletas. Talvez amarelas, brilhantes como o sol. Trazendo uma nova luz pra minha vida - pois o que tinha restado há quase mil dias atrás, você terminou de apagar.
Obrigada por nada.


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