Eram 3:27


... da manhã, e o celular tocou. Acordei num pulo com o coração quase saindo pela boca. Demorei para entender o que estava acontecendo, entre assimilar a tela clara nos meus olhos e o barulho estridente do toque do telefone. Mal consegui ver o nome do contato mas mesmo assim atendi. Ligações na madrugada nunca são um bom sinal.
Assim que aceitei a chamada pude ouvir a respiração do outro lado e na mesma hora reconheci o dono da ligação. Era o mesmo fantasma de sempre. O que ele queria agora e a essa hora, meu Deus?! Naqueles segundos que se passaram desde que apertei o 'verde' para atender, milhares de pensamentos passaram pela minha cabeça... Claro que temos a infeliz mania de pensar sempre no pior, mas o que mais eu poderia esperar dele?
Passados os milésimos segundo de susto, pude finalmente dizer: "alô".
Sua voz embargada me pedia para não desligar, queria conversar comigo e tinha muitas coisas pra me dizer (não podia esperar até de manhã?). Ele respondeu que não.
Ouvi meia dúzia de frases arrependidas e o interrompi. Não dava pra ficar ouvindo aquela baboseira toda, ainda mais quando eu podia estar dormindo lindamente. 'Está perdoado por ligar a essa hora e obrigada por todo o seu arrependimento, mas você não me comove mais. Até mais!' Ele continuava falando, e eu tive que interromper. 'Sabe... por muito, muito tempo mesmo eu esperei por esse momento. Acordava nas madrugadas verificando qualquer mínimo sinal de que você estava voltando. Criei oportunidades, assuntos, qualquer coisa que pudesse te fazer lembrar de mim. E nada. Pois então, acabou a espera. Porque eu cansei de esperar.'

Estava tarde e eu precisava dormir. 'Obrigada por isso. Apaga meu numero pra não correr o risco de acordar arrependido mais uma vez'.

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