Medroso
Partiu na calada da noite, evitou calçar os sapatos até chegar à porta para não correr o risco de acordá-la.
Partiu também o coração daquela pobre mulher.
Ele sentia medo e vergonha. Ele jamais teria coragem de contar a ela os motivos de ir: porque não sabia exatamente. E porque sempre fora um covarde. Isso mesmo. Sempre achou mais fácil uma partida silenciosa do que todo o drama e falta de argumentos. Sempre foi esse sujeito medroso.
Mas ali, ele já tinha ido longe demais. Levou esse rolo adiante demais. Estava na hora de fugir. E assim o fez.
Covarde.
Deixou a mulher adormecida, provavelmente sonhando ainda com ele. E o fracote não via a hora de dar no pé.
Talvez ele nunca saiba ou apenas evite pensar mas depois que acordou, as noites daquela mulher nunca mais foram as mesmas. Evitava pensar, pois também era mestre em se livrar da culpa. Sempre fora o inocente. Oras! Não é muito mais fácil culpar o outro?
A verdade é que ele sempre fora um covarde.
Não suportou ser amado, porque não sabia amar.
Ou sabia.
Apenas não quis corresponder.
Ele não amou porque não quis.
Era medroso demais pra amar.
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