Fogo de isqueiro
(...) saí da muvuca pra tomar um ar fresco. Parei na varanda do bar e fiquei me perguntando se a balada que não era mais a mesma ou eu é quem tinha ficado estranha /velha demais para aguentar aquele som. Parte da culpa era da banda, confesso. Nada contra esse cover do Legião - mas também nada a favor.
Enquanto me preparava para acender um cigarro, notei que não estava sozinha e me perguntei se teria praguejado aquela música sem fim em voz alta. Estava levemente alcoolizada mas não pude deixar de me sentir envergonhada. Que tipo de pessoa vai pra um lugar onde nao curte o som? Melhor ter ficado em casa. Talvez a tentativa de sair para espairecer (a qualquer custo) teria sido frustrada.
- "me empresta o seu isqueiro ?"
Eu ri.
Há quanto tempo eu não ouvia essa frase! Essa era bem típica daquela sacada... famosa útilidade para puxar assunto, quebrar o gelo, aproximar. Já me fez conhecer diversas pessoas naquele mesmo lugar. Amigos bêbados, amigos que duraram, amores de uma noite ou duas... engraçado pensar que depois de tanto tempo, algumas coisas simplesmente não mudam. Ainda bem! Aquela sacada continua sendo um dos meus lugares preferidos no mundo.
Deixei sair uma singela gargalhada e lembrei que não estava sozinha ali... coitado do moço do isqueiro! Quanto tempo será que eu viajei na maionese enquanto ele esperava? Como sou doida (ou apenas embriagada?). Decidi colocar a culpa na bebida.
- "Ah! Foi mal! Sai do corpo por um momento!"
Rimos enquanto ele acendia o cigarro. Que risada gostosa que ele deu! Pensei que gostaria de ouvi-la mais uma vez (...)
Continua
Comentários
Postar um comentário