cresça

(...) Ela o assustava muito. Era toda dona de si, daquelas que parece que não precisa de
ninguém para completá-la. Veja bem: parece. Na verdade ela é apenas uma menina que
precisou crescer cedo demais. Enquanto ele mirabolava um milhão de coisas na sua
cabeça sempre quente, ela estava correndo atrás da vida e das coisas que não podem
esperar. Sim, ela é dona de si. Não precisa de ninguém que a complete - precisa de alguém
que soma. Multiplica, divide. E então ele sentiu que precisava crescer. Pra ela, e por ela.
Nada mais fazia sentido e tudo estava uma bela de uma bosta. Mas ele sabia que ela conseguia trazer um pouco de cor na sua vida e isso já era um bom motivo para mantê-la sempre por perto. Mas como fazer isso? - Que homem mais frouxo! Mal sabia que ela
se derretia toda por qualquer coisa que ele fazia... e que toda aquela marra era apenas uma capa invisível que ela inventou para se proteger.
- Não precisa ter medo, meu jovem! Ela é toda sua, pode ir pegar. Só você consegue
tirar essa máscara dela, repara nos detalhes... repara no que ela não diz. Ou no que
ela sempre diz, e você não entende seu besta! O tempo tem sido cruel com vocês,
então corra! Acho que se você sair agora, ainda dá tempo de pegá-la em casa e
pagar aquela cerveja inocente que você prometeu faz tempo (não, ela não
esqueceu).
Mas vai rápido. O tempo tem sido cruel. São tempos difíceis... não a deixe escapar.

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